A
camisinha foi criada entre os séculos XVI e XVII, para tentar frear a rápida
disseminação das doenças sexualmente transmissíveis na Europa. Hoje, é um artigo
indispensável para todas as pessoas que possuem uma vida sexual ativa.
Entretanto, a camisinha não está presente apenas na vida das pessoas sexualmente ativas, mas também na vida de pessoas que possuem uma vida sexual mais apagada, como os publicitários à procura de emprego, que não têm tempo para nada, senão melhorar o portfólio.
Esta semana, enquanto arrumava a
minha pasta, comecei a fuçar os portfólios de outros redatores. Queria comparar
o nível dos trabalhos que estão sendo apresentados nas agências com os meus.
Fiquei
surpreso com uma prática que eu acreditei já estar superada depois do famoso
“Manual do Estagiário” de Eugênio Mohallem: os anúncios de camisinha. A maioria
das pastas que vi, de redatores mais experientes ou não, possuem ao menos uma
peça na qual a protagonista é a tão famosa camisa de Vênus.
Eu
também já fiz um anúncio assim para apresentar, mas, logo na primeira
entrevista, recebi uma cara de “ok” seguida pelo comentário: “Sei que o briefing
é conhecido e o produto possibilita inúmeros trocadilhos e brincadeiras, mas a
camisinha já está saturada”.
Isso
mesmo, ele recomendou que eu fosse na contramão de tudo que estão falando sobre
sexo seguro e parasse de usar camisinha – no meu portfólio, pelo menos.
O
momento da propaganda, e a grande concorrência, pede anúncios mais geniais e
textos mais inteligentes. Pede idéias no mídia, de mídia exterior, idéias
gráficas, enfim, idéias originais. E deixar a camisinha de lado é abrir espaço
para gozar a liberdade de ter novas idéias para novos
produtos.
Aproveite enquanto pode escolher em quem quer pensar. E não se apegue demais a qualquer outra marca. Seja poligâmico. E deixe a camisinha guardada em sua carteira, bolsa ou gaveta para ser usada em momentos mais especiais, depois que estiver numa agência e com tempo livre para se dedicar a outras causas.


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